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Siso incluso: quando é preciso tirar e quando é possível acompanhar

Siso incluso: quando tirar e quando acompanhar. Ilustração das opções de remoção e acompanhamento.

Um siso incluso costuma precisar de extração quando existe doença associada ou comprometimento dos tecidos e dentes próximos. Quando está sem doença identificável, pode ser acompanhado, considerando sua posição, os riscos da cirurgia e a possibilidade de manter avaliações periódicas. Não sentir dor, por si só, não significa que esteja saudável. [1]

O que significa ter um siso incluso?

O siso é o terceiro molar, localizado no final da arcada. Ele pode permanecer totalmente coberto por osso ou gengiva, ou nascer apenas parcialmente. Quando encontra um impedimento para sua erupção, é frequentemente chamado de impactado.

Essas situações apresentam riscos diferentes. Um dente parcialmente exposto pode criar uma região difícil de limpar; um completamente coberto exige avaliação de sua relação com os tecidos e dentes vizinhos. [1]

Quando a extração costuma ser indicada?

Há maior concordância clínica sobre a remoção quando existe cárie que não pode ser restaurada adequadamente, infecção, inflamações recorrentes, comprometimento periodontal ou determinadas lesões associadas ao dente.

A decisão exige identificar o problema e sua relação com o siso. Dor na região, isoladamente, não basta: ela pode ter origem em outro dente ou em estruturas próximas, e a extração não necessariamente resolverá a queixa. [2]

Pericoronarite: toda inflamação exige retirada?

A pericoronarite é a inflamação da gengiva que recobre parcialmente a coroa do siso. Pode causar dor, inchaço, gosto desagradável e dificuldade para abrir a boca.

Um primeiro episódio leve não determina automaticamente a extração. É necessário avaliar a gravidade, as condições de higiene e a possibilidade de o dente completar sua erupção. Episódios repetidos ou particularmente graves pesam mais a favor de um tratamento definitivo. [3]

Durante a crise, limpeza e irrigação realizadas pelo profissional têm papel importante. Antibióticos ficam reservados a situações específicas, como disseminação da infecção ou repercussão no organismo. Febre, inchaço progressivo ou dificuldade para engolir exigem avaliação rápida; dificuldade para respirar é uma emergência. [3]

Por que o segundo molar merece atenção?

O segundo molar é o dente imediatamente à frente do siso. Certas posições do terceiro molar dificultam a limpeza e estão associadas a cárie na superfície posterior desse vizinho, especialmente quando o siso inferior está inclinado para a frente. Isso indica maior risco, mas não significa que todo dente nessa posição causará cárie. [4]

Também é preciso examinar o periodonto, formado pela gengiva e pelos tecidos de sustentação dos dentes. Um estudo longitudinal encontrou associação entre terceiros molares retidos e doença no segundo molar. Por ser observacional e envolver uma população específica, não prova que a extração preventiva beneficiaria todas as pessoas. [5]

Quando já existe comprometimento periodontal, retirar o siso pode favorecer a região, mas não garante recuperar todo o suporte perdido. Uma meta-análise identificou melhora média após a cirurgia, com persistência de defeitos em parte dos casos. [6]

E as lesões associadas ao siso?

Alterações nos tecidos ao redor da coroa precisam ser investigadas. Uma revisão de 2026 encontrou alterações microscópicas, inclusive císticas, em amostras com aparência radiográfica normal, mas destacou importantes limitações dos estudos.

Esses achados não justificam, isoladamente, extrair todos os sisos. Frequências observadas em tecidos removidos cirurgicamente também não representam automaticamente o risco futuro de quem mantém o dente. [7]

Quando a tomografia é necessária?

Radiografias ajudam a avaliar posição, raízes, dentes próximos e alterações ósseas. A panorâmica oferece uma visão geral; exames intraorais podem esclarecer questões específicas.

A tomografia permite observar relações em três dimensões, mas não é necessária para todo siso. Sua indicação deve responder a uma dúvida que os exames convencionais não esclarecem, como a relação entre raízes e o canal do nervo alveolar inferior. [8]

Esse nervo participa da sensibilidade do lábio inferior e do queixo. A tomografia pode modificar o planejamento, mas seu uso rotineiro não demonstrou reduzir, por si só, alterações de sensibilidade após a extração. [8]

Quando é possível acompanhar?

A principal controvérsia envolve sisos sem sintomas e sem doença identificável. A revisão Cochrane de 2020 considerou insuficientes as evidências para estabelecer se todos deveriam ser retirados ou mantidos. Isso não comprova equivalência entre as condutas; mostra que não existe uma regra universal bem sustentada. [9]

As diretrizes também diferem: algumas são mais restritivas quanto à extração preventiva, enquanto outras a admitem em situações de maior risco. Uma revisão publicada em 2026 identificou diferenças relevantes na qualidade metodológica dessas recomendações. [10]

Acompanhar significa reexaminar o siso, o segundo molar e a gengiva, com imagens quando indicadas. O intervalo depende dos achados e do risco individual. Não é preciso esperar aparecer dor, e a decisão pode mudar se surgir doença. [1]

Como pesar os riscos da cirurgia?

A extração pode causar dor, inchaço e limitação temporária da abertura da boca. Também existem riscos de sangramento, infecção, alveolite — uma complicação dolorosa da cicatrização — e alterações de sensibilidade. Esses riscos precisam ser comparados aos de manter o dente. [9]

Em casos selecionados de alto risco nervoso, pode-se considerar a coronectomia, retirando a coroa e mantendo intencionalmente as raízes. Essa técnica pode reduzir lesões nervosas, mas exige acompanhamento e eventualmente nova intervenção. [11]

Retirar sisos apenas para evitar dentes “encavalados” não encontra suporte consistente. A indicação deve esclarecer qual problema será tratado, qual risco se pretende reduzir e por que operar ou acompanhar faz sentido naquele caso. [9]

Referências bibliográficas

  1. Sánchez-Garcés MÁ, Toledano-Serrabona J, Camps-Font O, Peñarrocha-Diago M, Sánchez-Torres A, Sanmartí-Garcia G, et al. Diagnosis and indications for the extraction of third molars — The SECIB clinical practice guideline. Med Oral Patol Oral Cir Bucal. 2024;29(4):e545–e551. DOI: 10.4317/medoral.26524.
  2. Peñarrocha-Diago M, Camps-Font O, Sánchez-Torres A, Figueiredo R, Sánchez-Garcés MA, Gay-Escoda C. Indications of the extraction of symptomatic impacted third molars. A systematic review. J Clin Exp Dent. 2021;13(3):e278–e286. DOI: 10.4317/jced.56887.
  3. Schmidt J, Kunderova M, Pilbauerova N, Kapitan M. A Review of Evidence-Based Recommendations for Pericoronitis Management and a Systematic Review of Antibiotic Prescribing for Pericoronitis among Dentists: Inappropriate Pericoronitis Treatment Is a Critical Factor of Antibiotic Overuse in Dentistry. Int J Environ Res Public Health. 2021;18(13):6796. DOI: 10.3390/ijerph18136796.
  4. Revuelta-Cortés P, Cortés-Bretón Brinkmann J, Argandoña-Flores M, Pérez-González F, Bazal-Bonelli S, Madrigal Martínez-Pereda C, Meniz-García C. Prevalence of distal caries in second molar associated with impacted mandibular third molar and the position and level of impaction: a systematic review and meta-analysis. Clin Oral Investig. 2025;29(1):83. DOI: 10.1007/s00784-024-06131-1.
  5. Nunn ME, Fish MD, Garcia RI, Kaye EK, Figueroa R, Gohel A, et al. Retained asymptomatic third molars and risk for second molar pathology. J Dent Res. 2013;92(12):1095–1099. DOI: 10.1177/0022034513509281.
  6. Pang SL, Leung KPY, Li KY, Pelekos G, Tonetti M, Leung YY. Factors affecting periodontal healing of the adjacent second molar after lower third molar surgery: a systematic review and meta-analysis. Clin Oral Investig. 2023;27(4):1547–1565. DOI: 10.1007/s00784-022-04777-3.
  7. de Andrade Tutu JS, de Sousa Lopes Cascaes P, Peralta-Mamani M, Silveira RJ, Soares AB, Cintra Junqueira JL, Nascimento MDCN, Soares MQS. Cystic and Neoplastic Lesions in Pericoronal Follicles of Asymptomatic Third Molars: A Systematic Review and Meta-Analysis. J Oral Maxillofac Surg. Publicação antecipada on-line, 1 maio 2026. DOI: 10.1016/j.joms.2026.04.015.
  8. Matzen LH, Berkhout E. Cone beam CT imaging of the mandibular third molar: a position paper prepared by the European Academy of DentoMaxilloFacial Radiology (EADMFR). Dentomaxillofac Radiol. 2019;48(5):20190039. DOI: 10.1259/dmfr.20190039.
  9. Ghaeminia H, Nienhuijs MEL, Toedtling V, Perry J, Tummers M, Hoppenreijs TJM, van der Sanden WJM, Mettes TG. Surgical removal versus retention for the management of asymptomatic disease-free impacted wisdom teeth. Cochrane Database Syst Rev. 2020;5:CD003879. DOI: 10.1002/14651858.CD003879.pub5.
  10. Herráez-Tondo MG, Gay-Escoda C, Toledano-Serrabona J, Sánchez-Garcés MÀ. Review of clinical practice guidelines on the diagnosis and treatment of third molars. Evaluation of adherence to AGREE II publication guideline. Med Oral Patol Oral Cir Bucal. 2026;31(1):e89–e94. DOI: 10.4317/medoral.27578.
  11. Kang FW, Yuan XR, Li GC, Yang YFZ, Zhang XM, Hou GY. Coronectomy in Lower Third Molar Surgery: A Systematic Review and Meta-Analysis. J Oral Maxillofac Surg. 2025;83(5):601–615. DOI: 10.1016/j.joms.2025.01.014.
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