Quando a alteração está nos ossos da face, o tratamento precisa ir além dos dentes.
A cirurgia ortognática trata discrepâncias esqueléticas entre maxila e mandíbula por meio de uma jornada integrada de diagnóstico, ortodontia, planejamento virtual e cirurgia. O objetivo é construir uma relação facial e oclusal mais funcional, equilibrada e individualizada.
A cirurgia não é indicada apenas pela aparência da face ou pela classificação da mordida. Cada caso exige avaliação clínica, ortodôntica e por imagem.
Diagnóstico esquelético · simulação 3D
Planejamento virtual 3D
Integração com Ortodontia
Expansão maxilar quando indicada
Abordagem minimamente invasiva em casos selecionados
Cirurgia ortognática não é apenas “mexer na mandíbula”.
É o tratamento das relações esqueléticas da face. Maxila, mandíbula, mento, oclusão, assimetrias, dimensão transversal, vertical e via aérea podem precisar ser avaliados em conjunto.
Quando a discrepância é predominantemente dentária, a ortodontia pode ser suficiente. Quando a base óssea participa de forma importante do problema, movimentar somente os dentes pode não resolver a relação entre os maxilares.
É identificar onde está a discrepância, quanto ela é esquelética, quais funções estão envolvidas e qual sequência de tratamento faz sentido para aquele paciente.
A cirurgia ortognática é uma parte do tratamento — não o tratamento inteiro.
O reposicionamento dos ossos acontece no centro cirúrgico, mas a qualidade da jornada começa muito antes: no diagnóstico, na preparação dos dentes, no reconhecimento de alterações transversais, no planejamento dos movimentos e na organização do acompanhamento.
A primeira consulta não serve apenas para decidir se haverá cirurgia. Avaliamos a relação entre maxila e mandíbula, mordida, sorriso, simetria, proporções faciais, função e aquilo que realmente incomoda o paciente. A partir daí, cada etapa é organizada para chegar ao centro cirúrgico com um objetivo definido.
O papel do cirurgião é relacionar o problema anatômico às necessidades funcionais e às expectativas do paciente, explicar o que pode ser modificado e reconhecer limites antes de definir a intervenção.
Classe I, II e III são pontos de partida — não o diagnóstico inteiro.
A relação anteroposterior dos maxilares ajuda a organizar o raciocínio, mas o planejamento também considera assimetria, altura facial, inclinação dos planos, largura da maxila e posição do mento.

Classe I esquelética
Relação anteroposterior relativamente equilibrada entre as bases ósseas. Mesmo assim, podem existir alterações verticais, transversais ou assimetrias que necessitem investigação.
Classe II esquelética
Pode envolver retrusão mandibular, projeção relativa da maxila ou combinação de fatores. O diagnóstico define se a correção é dentária, ortodôntico-cirúrgica ou, em crescimento, ortopédica.
Classe III esquelética
Pode resultar de excesso mandibular, deficiência maxilar ou ambos. Prognatismo é apenas uma das apresentações possíveis e não deve ser analisado isoladamente.
A classificação esquelética é uma simplificação didática. O diagnóstico real depende da combinação entre exame clínico, documentação ortodôntica, imagens, análise facial e objetivos funcionais.

A cirurgia começa antes do centro cirúrgico.
O planejamento virtual tridimensional permite estudar a anatomia, simular movimentos, coordenar maxila e mandíbula e transferir o plano para a cirurgia com recursos digitais.
Movimentos diferentes produzem repercussões diferentes.
Avançar, recuar, impactar, rotacionar ou corrigir uma assimetria não significa apenas mudar a posição de um osso. Cada movimento modifica relações oclusais, proporções faciais e tecidos moles, e pode apresentar exigências anatômicas próprias.
Movimentos anteroposteriores
Avanços ou recuos de maxila e mandíbula alteram a relação entre as bases ósseas, a mordida, o perfil e o suporte dos tecidos moles. A magnitude e a direção precisam ser definidas em conjunto.
Movimentos verticais e rotações
Impactações e rotações do complexo maxilomandibular podem modificar exposição dentária, altura facial, posição do mento e plano oclusal. Alguns movimentos exigem atenção especial a interferências ósseas e estruturas anatômicas posteriores.
Assimetria e três dimensões
Assimetria não é apenas “um lado maior”. Linha média, inclinação do plano oclusal, rotação dos maxilares, mento e diferenças entre os lados precisam ser estudados tridimensionalmente.
Tecidos moles também respondem
O osso é reposicionado, mas lábios, nariz, musculatura e contornos faciais acompanham essa mudança de formas diferentes. Por isso, o planejamento precisa considerar mais do que a posição final do esqueleto.
Quando o paciente chega ao hospital, as principais decisões já devem estar construídas. Guias e recursos digitais ajudam a transferir o plano, mas não substituem conhecimento anatômico, julgamento clínico ou a capacidade de adaptar a execução quando a realidade cirúrgica exige.
Ler a explicação completa sobre diagnóstico, movimentos e planejamento →
Ortodontia e cirurgia são etapas do mesmo projeto.
Em grande parte dos casos, a ortodontia prepara os dentes para que a correção óssea possa ser feita de forma coerente. Isso pode exigir alinhar, nivelar, coordenar os arcos e remover compensações dentárias que mascaravam a discrepância esquelética.
Diagnóstico conjunto
Cirurgião e ortodontista definem a discrepância esquelética, a posição dentária e a sequência proposta.
Alinhamento e nivelamento
Os dentes são posicionados dentro de suas bases ósseas conforme o planejamento.
Descompensação
Inclinações dentárias adaptativas podem precisar ser corrigidas antes da cirurgia, mesmo que a mordida pareça temporariamente pior.
Coordenação dos arcos
Largura, forma e compatibilidade entre maxila e mandíbula são avaliadas para a oclusão cirúrgica planejada.
Finalização pós-operatória
Após a cirurgia, ajustes ortodônticos refinam contatos dentários e estabilidade oclusal.
O preparo não é igual para todos.
Alguns pacientes precisam de uma fase ortodôntica mais longa; outros já chegam próximos à posição necessária. Protocolos de cirurgia antecipada ou “Surgery First” podem ser considerados em situações selecionadas, mas não são uma solução universal.
Quando existe discrepância transversal importante, a expansão da maxila pode precisar acontecer antes ou durante a correção ortognática.
Quando o planejamento inclui osteotomia sagital da mandíbula, os terceiros molares inferiores ocupam uma região diretamente relacionada ao trajeto cirúrgico. Por isso, em nossa rotina, sua remoção é programada durante o preparo, com antecedência suficiente para cicatrização. A indicação permanece individualizada e considera a cirurgia que será realizada no futuro — não apenas a condição atual do dente.
Quando a maxila é estreita, movimentar para frente ou para trás pode não ser suficiente.
A discrepância transversal precisa ser reconhecida. A estratégia depende da idade, maturidade esquelética, quantidade de expansão necessária, condição periodontal e integração com a cirurgia principal.
01 · Crescimento
Expansão ortopédica
Em pacientes em fase de crescimento, dispositivos ortopédicos podem aproveitar maior resposta da sutura palatina, conforme indicação ortodôntica.
02 · Pacientes maduros
Expansão assistida
Em adultos e situações específicas, podem ser considerados protocolos assistidos por ancoragem esquelética ou expansão cirurgicamente assistida.
03 · Ortognática
Segmentação durante a cirurgia
Em alguns planejamentos, a correção transversal pode ser integrada à osteotomia da maxila por meio de segmentação, quando tecnicamente indicada.
A escolha entre expansão ortopédica, assistência esquelética, cirurgia em estágio separado ou segmentação durante a ortognática depende da anatomia e do objetivo do tratamento.

Ortognática minimamente invasiva.
Quando a anatomia e o movimento planejado permitem, utilizamos princípios de cirurgia ortognática minimamente invasiva, buscando reduzir acessos e descolamentos desnecessários sem abrir mão do controle e da segurança do procedimento.
Uma abordagem adaptada ao caso — não uma promessa de recuperação fácil.
A expressão “minimamente invasiva” descreve uma filosofia técnica. A cirurgia continua sendo um procedimento de grande porte, sob anestesia geral, e a indicação precisa respeitar o movimento necessário, a anatomia e a experiência da equipe.
Quando possível, evita-se ampliar a exposição além do necessário para executar o planejamento.
A estratégia pode incluir recursos voltados à precisão e ao controle da osteotomia.
Nem todo caso deve ser convertido para uma abordagem minimamente invasiva; segurança e previsibilidade têm prioridade.
Edema, desconforto, limitação e tempo de retorno variam. Não há promessa de pós-operatório “sem inchaço” ou recuperação instantânea.

Do diagnóstico à finalização.
A ortognática é uma etapa de uma jornada multidisciplinar. O tempo e a composição de cada fase dependem da condição inicial, da estratégia escolhida e das necessidades de cada paciente.
1
Avaliação
Face, mordida, função e objetivos.
2
Diagnóstico
Imagem, documentação e ortodontia.
3
Preparo
Ortodontia e expansão se necessárias.
4
Planejamento 3D
Simulação e estratégia cirúrgica.
5
Cirurgia
Ambiente hospitalar e anestesia geral.
6
Finalização
Acompanhamento e ajustes ortodônticos.
Nenhum profissional constrói sozinho toda a jornada.
Cirurgião e ortodontista precisam trabalhar com o mesmo destino desde o preparo. Depois da cirurgia, a ortodontia retorna para a finalização e, conforme o caso, fisioterapia, fonoaudiologia, nutrição ou outras áreas podem participar da recuperação. O objetivo é que cada profissional entre no momento adequado, sem transformar a cirurgia em um ato isolado.
Cirurgia ortognática pode ter cobertura pelo plano de saúde — mas cada etapa precisa ser separada.
Quando existe indicação funcional e necessidade de ambiente hospitalar, procedimentos bucomaxilofaciais podem se enquadrar na cobertura da segmentação hospitalar, conforme regras aplicáveis ao plano. Isso não significa que todo o tratamento ortodôntico, planejamento ou honorário particular seja automaticamente coberto.
O que pode envolver a cobertura hospitalar
A análise costuma considerar indicação clínica, procedimentos solicitados, internação, anestesia, estrutura hospitalar, materiais e regras do contrato.
- Osteotomias e procedimentos cirúrgicos autorizados
- Internação e estrutura hospitalar, conforme segmentação contratada
- Anestesia e exames relacionados, quando previstos e autorizados
- Órteses, próteses e materiais conforme indicação, contrato e auditoria
O que precisa ser verificado individualmente
A jornada ortognática contém componentes odontológicos e particulares que podem ter regras diferentes da internação hospitalar.
- Ortodontia pré e pós-operatória
- Documentação e planejamento virtual
- Honorários profissionais fora da rede ou por reembolso
- Materiais específicos, customizados ou não previstos
- Carências, rede credenciada e condições contratuais
cobertura não deve ser prometida antes da análise do plano. Nossa equipe pode organizar documentação clínica e cirúrgica para solicitação, mas autorização final, rede, reembolso e materiais dependem da operadora, do contrato e das regras regulatórias aplicáveis.
Recuperar não é apenas “desinchar”.
O pós-operatório envolve controle de edema e dor, adaptação alimentar, higiene, retorno progressivo à função e consolidação óssea. A evolução varia conforme extensão dos movimentos, procedimentos associados e resposta individual.
Primeiros dias
Edema e adaptação
Inchaço, sensação de pressão, congestão nasal em cirurgias maxilares e limitação funcional podem fazer parte do período inicial.
Primeiras semanas
Retorno progressivo
Alimentação, fala, higiene e atividades são retomadas progressivamente conforme orientação e estabilidade clínica.
Acompanhamento
Oclusão e cicatrização
Consultas acompanham feridas, sensibilidade, mordida e evolução óssea. A ortodontia volta a participar da finalização.
Meses seguintes
Consolidação e refinamento
O osso consolida ao longo de meses, enquanto edema residual e adaptação de tecidos continuam evoluindo gradualmente.
Não usamos uma promessa fixa de “recuperação em X dias”. O retorno ao trabalho, atividade física, mastigação e rotina depende do procedimento realizado e do perfil de cada paciente.
Planejamento aumenta o controle — não elimina riscos.
Cirurgia ortognática é uma cirurgia de grande porte. O consentimento precisa abordar possíveis intercorrências e limitações de forma proporcional ao caso.
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Alterações de sensibilidade
Parestesias podem ocorrer, especialmente em procedimentos mandibulares, e podem ser temporárias ou persistentes.
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Sangramento e hematoma
A cirurgia envolve tecidos vascularizados e requer planejamento anestésico e cirúrgico adequado.
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Infecção
Infecção é uma intercorrência possível e pode exigir acompanhamento ou tratamento adicional.
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Recidiva ou alteração oclusal
Estabilidade depende de fatores esqueléticos, musculares, ortodônticos e de cicatrização.
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ATM e função mandibular
Sintomas articulares podem melhorar, permanecer ou surgir; a ATM precisa ser avaliada dentro do contexto do caso.
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Reintervenção
Em situações específicas, pode haver necessidade de revisão, remoção de material ou novo procedimento.
É explicar por que diagnóstico, preparo ortodôntico, planejamento virtual, ambiente hospitalar e acompanhamento fazem parte de uma cirurgia responsável.
Dr. Arthur Edward Marras Tate
Cirurgião Bucomaxilofacial · CRO-SP 124012
Atuação em cirurgia ortognática e procedimentos bucomaxilofaciais de alta complexidade, integrando diagnóstico clínico, planejamento virtual tridimensional e execução cirúrgica. O planejamento dos casos é conduzido pessoalmente pelo Dr. Arthur, da avaliação inicial à simulação dos movimentos e à sua transferência para o centro cirúrgico.
Manual do Paciente — Cirurgia Ortognática
Preparo, internação, alimentação, higiene, recuperação, sensibilidade, sinais de alerta e acompanhamento reunidos em um único guia para consultar durante a jornada.
Perguntas antes de decidir.
Não necessariamente da mesma forma. Muitos casos exigem preparo ortodôntico para alinhar, nivelar e descompensar os dentes. Em situações selecionadas, protocolos com cirurgia mais precoce podem ser considerados, mas dependem de critérios específicos.
É a integração de imagens, modelos dentários digitais e análise facial em ambiente virtual para simular os movimentos ósseos e organizar a transferência do planejamento para a cirurgia.
Quando existe deficiência transversal relevante. A forma de expansão depende da idade, maturidade esquelética, quantidade necessária, saúde periodontal e relação com o restante do planejamento ortognático.
Pode haver cobertura em planos com segmentação hospitalar quando há indicação funcional e necessidade de ambiente hospitalar, mas autorização, rede, materiais, honorários, ortodontia e planejamento precisam ser analisados individualmente conforme contrato e regras aplicáveis.
É uma filosofia técnica que busca limitar acessos e descolamentos quando a anatomia e o movimento planejado permitem. Não significa que a cirurgia seja pequena, sem riscos ou sem pós-operatório.
Não existe um prazo único. Edema e limitações são mais intensos no início e melhoram progressivamente; retorno ao trabalho, alimentação, atividade física e consolidação óssea dependem do procedimento e da evolução individual.
Em pacientes selecionados, quando existe componente esquelético relacionado à via aérea, movimentos maxilomandibulares podem integrar um tratamento multidisciplinar. Isso exige investigação específica e não é uma indicação automática para todo paciente com apneia.
Antes de pensar na cirurgia, entenda a estrutura do seu caso.
Avalie relação entre os maxilares, preparo ortodôntico, necessidade de expansão, planejamento virtual e possibilidades de tratamento.
